domingo, 24 de abril de 2016

O movimento iluminista


Uma definição precisa sobre o movimento iluminista consiste na ideia de que foi um movimento que se desenvolveu na Europa do século XVIII e que exerceu enorme influência na forma pela qual se compreende a política, a sociedade, a economia e a religião. Além disso, deve-se ressaltar que tal movimento inspira a nossa visão do mundo contemporâneo. A palavra Iluminismo vem do verbo iluminar, ou até mesmo ilustração que significa ilustrar, cujo significado é brilhante, polido.
A partir do século XVIII houve uma transformação no modo de pensar da sociedade, contrariando a concepção de conhecimento existente na Idade Média. Em outras palavras, no período feudal a produção de saberes acontecia seguindo parâmetros conhecidos como Teocentrismo (Deus estava no centro de tudo), ou seja, todos os fenômenos da natureza, doenças ou catástrofes naturais eram explicados como sendo a vontade de Deus. Não existia uma explicação científica para tais eventos, pois somente a Igreja Católica controlava a sistematização de conhecimentos. No que diz respeito ao Iluminismo houve uma valorização de uma nova forma de se analisar o mundo, conhecido, sobretudo, como Antropocentrismo (o homem no centro de tudo). Com isso, os homens passaram a ser considerados seres racionalmente capazes de explicar o mundo ao seu redor. Por isso, a igreja perdeu sua hegemonia no continente europeu.
Deve-se enfatizar que, a partir do século XVIII, em função das transformações na ciência e na técnica ocorrida na Europa Ocidental, os homens passaram a acreditar que apenas o pensamento racional (e não mais a fé) seria capaz de promover o desenvolvimento das sociedades. Para tanto, deveria se libertar de toda forma de superstição, de preconceito, de medo (considerados irracionais). Dessa forma, a base do pensamento iluminista é a valorização da razão humana como fonte de conhecimento.
René Descartes
Uma das características do movimento iluminista consiste no  estímulo a realização de experimentos científicos, promovendo um avanço significativo no processo de produção de conhecimentos. Com a finalidade de reunir todos os saberes do período, os iluministas franceses decidiram criar uma enciclopédia, que se transformou num excelente instrumento de divulgação dos princípios do movimento. Com isso, aconteceu a revalorização da tradição investigativa da Antiguidade Clássica e do Renascimento para entender e explicar tanto o mundo quanto o Ser Humano. Com isso, o experimentalismo e o racionalismo, representados pelas obras de René Descartes e Isaac Newton, são exemplos disso.
Os iluministas defendiam a liberdade, a tolerância e a igualdade dos indivíduos perante a lei. Esses princípios se tornariam objetos de reivindicações das lutas democráticas travadas nos séculos seguintes em muitas partes do mundo. Em cada localidade em que o movimento floresceu, o iluminismo teve desdobramentos diferentes. No continente americano, marcado pela exploração colonial, o iluminismo inspirou os movimentos de revolta e de independência, que contribuíram para o fim do pacto colonial. Já na França, os ideais de liberdade e de igualdade fizeram com que a Revolução Francesa tornasse possível e, sobretudo, levasse à tomada do poder pela burguesia. Já em Portugal e em outras nações europeias, provocou reformas modernizadoras que ficaram conhecidas como despotismo esclarecido.
Um dos principais alvos das críticas dos iluministas era o absolutismo (forma de governo em que o poder se encontra concentrado nas mãos dos reis), que simbolizavam o autoritarismo em voga. Além disso, tais reis absolutistas afirmavam que a função que eles exerciam significava a vontade de Deus e, dessa maneira, eram considerados pessoas de natureza diferente, superiores aos demais. Portanto, diversos autores formularam teorias que contestavam o poder absoluto do rei.
John Locke
Um desses pensadores foi John Locke, que defendia a ideia de que a vida, a liberdade e a propriedade privada eram direitos humanos naturais. Para ele os governos haviam surgido por intermédio de um contrato social feito entre os homens para a preservação desses direitos. Portanto, caso o governo não cumprisse sua razão de ser – a de proteger e garantir o livre curso da igualdade social -, a sociedade teria direito à rebelião e à substituição do governante tirânico. Além disso, Locke afirmava a concepção de liberalismo político, ou seja, o Estado não era patrimônio pessoal e exclusivo do soberano, por isso, deveria compartilhar o poder de decisão sobre os assuntos de interesses comum com os representantes dos proprietários de terra, reunidos em um parlamento.
Barão de Montesquieu
Outro importante pensador iluminista foi o Barão de Montesquieu, que criticou o Estado absolutista francês e fez elogios ao governo inglês, que era controlado pelo parlamento e não apenas pelo monarca. Montesquieu desenvolveu a teoria da separação e da independência dos poderes do Estado, segundo a qual o governo seria exercido pelo Legislativo (que elabora as leis), pelo Executivo (que executa as leis, governando o Estado) e pelo Judiciário (que julga e estabelece as punições dos que desobedecem as leis). Para o filósofo, esta divisão impediria que algum poder quisesse se sobrepor aos demais.
Outro importante destaque no produção de conhecimentos foi o Voltaire, que criticava a posição da Igreja e a censura de seu tempo. É sua a frase: “Não concordo com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”. Além disso, o pensador defendia a ideia de que a monarquia respeitasse os direitos individuais e na qual o rei fosse um homem “esclarecido”, ou seja, que tivesse ideias que promovesse o desenvolvimento e a modernização da nação.
Jean-Jacques Rousseau
 Por fim, Jean-Jacques Rousseau foi o responsável pelas críticas mais radicais à Igreja e à concentração de poder nas mãos dos reis. Em seus escritos, Rousseau se mostrou favorável à formação de um governo popular em oposição à Monarquia absolutista. Por essa razão ficou conhecido como “pai da democracia”. Suas ideias tiveram grande aceitação entre as camadas populares e a pequena burguesia europeia, especialmente quando defendia que a nova sociedade deveria ser composta, fundamentalmente, de pequenos proprietários e que o povo deveria exercer sua autoridade diretamente, sem intermediários.
No que diz respeito ao setor da economia, duas correntes de pensamento foram criadas no contexto do Iluminismo. O primeiro foi a Fisiocracia, que afirmava que a terra era a única fonte de riqueza, e a agricultura era a única atividade verdadeiramente produtiva. Com isso, o comércio e a indústria seriam atividades secundárias, meramente transformadoras.
Por outro lado, uma nova doutrina ganhou força, conhecida como Liberalismo Econômico e, dessa forma, mudou o modelo econômico de diversas nações europeias. Seus pressupostos foram criados pelo escocês Adam Smith, que defendia a ideia de que a riqueza das nações era gerada pelo trabalho, exercido por indivíduos livres. Para os liberalistas, a economia também possuía leis próprias, que funcionariam naturalmente, se necessitar da intervenção do governo. Os liberais adotavam o lema fisiocrata do “Laissez-faire, laissez-passer”, ou seja, deixe fazer, deixe passar, ressaltando a liberdade que julgavam necessária para o bom funcionamento das leis econômicas.

Vale enfatizar que diversos monarcas europeus, influenciados pelas ideias iluministas, implementaram reformas políticas, sociais e econômicas na administração de seus reinos. A finalidade era racionalizar a administração e aplicar a igualdade de impostos para todas as camadas sociais, além de incentivar a educação e a produção artística. Apesar das reformas, o caráter autoritário dos governos absolutistas foram mantidos em muitos lugares, pois os monarcas não concordavam em dividir o poder ou eliminar os privilégios. Por isso, esse tipo de governo ficou conhecido como Despotismo Esclarecido.

Voltaire
Representação das reuniões dos iluministas

 









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