domingo, 28 de agosto de 2016

A expansão marítima e o Absolutismo

                A expansão marítima foi uma das “soluções encontradas pela sociedade europeia para fazer frente aos graves problemas enfrentados pela crise do sistema feudal. A necessidade de encontrar novas fontes de metais preciosos, de controlar novas regiões produtoras de alimentos, principalmente de trigo, e de estabelecer o domínio sobre populações não europeias foram fatores decisivos para o desencadeamento do processo expansionista.
                No século XIV, até mesmo em função dos graves problemas sociais que persistiam (insurreições camponesas, revoltas urbanas, conflitos militares, epidemias e fome), buscou-se incrementar as transações comerciais com a utilização da rota marítima que ligava o Mediterrâneo aos mare do Norte e Báltico. Nesse contexto, algumas cidades do litoral português, passaram a ser elos – pontos de parada obrigatória – entre o sul e o norte da Europa. A partir de então, em Portugal consolidou-se um grupo de mercadores (burgueses) vinculados às atividades marítimo-comerciais e interessados em eliminar o monopólio sobre o comércio das especiarias.

Resultado de imagem para charges sobre as viagens maritimas                Um importante fator do pioneirismo português foi a centralização política. Com isso, a burguesia mercantil ampliou seu espaço, ao mesmo tempo em que o Estado impôs um controle mais rígido sobre a nobreza. Assim, o estímulo às atividades comerciais passou a ser uma prioridade política do Estado – e apenas ele seria capaz de mobilizar os recursos financeiros e materiais para um empreendimento de tal porte.
                Além disso, houve um desenvolvimento técnico significativo. Instrumentos como o astrolábio, a bússola e a caravela, permitindo que os portugueses fossem os primeiros a iniciar as viagens marítimas. Por essas razões, não poucos autores consideram a consolidação de um Estado centralizado e identificação com os interesses mercantis como uma precondição para o processo expansionista. A tradição marítima acumulada, o progresso técnico-naval, intensificado durante a dinastia de Avis, e, conforme se dizia na época, “a necessidade de buscar no mar o que a terra não podia dar” também explicam o pioneirismo português.
As etapas do processo de expansão marítima foram:
· 1415 – A conquista de Ceuta, importante entreposto comercial árabe localizado no norte da África, é normalmente considerada o marco inicial do expansionismo português.
· 1487-1488 – Período marcado pela chegada de uma expedição comandada por Bartolomeu Dias à extremidade sul do continente africano.
· 1498 – Chegada da expedição comandada por Vasco da Gama às Índias. A partir dela, rompeu-se o monopólio árabe e italiano sobre o comércio das especiarias, abrindo à burguesia mercantil portuguesa grandes perspectivas – alguns autores afirmam que o lucro era da ordem de 4.000 %.  
· 1500 – Expedição comandada por Pedro Álvares Cabral, cujo objetivo era fundar feitorias (entrepostos comerciais) nas Índias. Essa expedição alcançou o território que viria a se chamar Brasil. Depois de alguns dias, ela atravessou o Atlântico, contornou a extremidade sul do continente africano, atingiu as Índias e deu prosseguimento à exploração comercial iniciada por Vasco da Gama.
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Mapas ilustrando o Tratado de Tordesilhas 
O processo expansionista europeu se inseriu no contexto de transformações globais que ocorreram no séculos XV e XVI na sociedade da Europa Ocidental. Sem dúvida, ele ampliou as perspectivas europeias e assinalou o início de uma hegemonia que prolongaria pelos séculos seguintes: a europeização de boa parte do planeta, em especial da região que viria a ser conhecida como “novo mundo”, isto é, a América, tornou-se uma realidade.    
Além disso, deve-se registrar que após a chegada dos europeus no continente americano, portugueses e espanhóis iniciaram uma disputa com a finalidade de explorar mais terras. Com isso, criaram o Tratado de Tordesilhas, acordo que dividia o continente americano entre os dois países.
O processo expansionista e seus desdobramentos, como a montagem do sistema colonial nas Américas, contribuíram de maneira decisiva para a acumulação de capital na Europa, acelerando, dessa maneira, a transição do feudalismo para o capitalismo. Além desses resultados econômicos, é importante destacar que a expansão também contribuiu para o fortalecimento dos Estados Nacionais europeus, o desenvolvimento do tráfico de escravos africanos para a América e o extermínio de centenas de povos da América e de suas culturas. Nesse sentido, a expansão marítima constituiu-se em um processo histórico fundamental na formação da modernidade europeia.
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Thomas Hobbes
Outro aspecto que estará presente na prova consiste nas questões inerentes ao  Absolutismo. Deve-se destacar que a centralização política e a consequente consolidação fez com que o Estado passasse a ter o monopólio do exercício do poder, em suas instâncias administrativa, militar, jurídica e política. Paralelamente, essa centralização também atendeu às aspirações da nascente burguesia, interessada na unificação dos mercados e da moeda, na proteção contra a concorrência de comerciantes estrangeiros e na existência de uma legislação única, válida para todo o território nacional.
O que caracterizava os novos estados, fundamentalmente, era a centralização do poder político, obtida graças à unificação dos sistemas legais, o surgimento de um corpo de funcionários, a formação de um exército sob o comando do rei, o enfraquecimento da justiça senhorial, em detrimento da justiça real, a arrecadação de impostos, agora devidos ao Estado, a unificação monetária e a eliminação da autonomia das cidades e de aduanas internas.
A nobreza e o clero foram os grupos sociais que asseguraram o apoio ao rei; foram também os grupos de pressão que contribuíram para limitar o poder real em determinados aspectos. Isso caracterizou o Estado absolutista como um Estado ainda feudal, apesar de vários historiadores já terem propostos interpretações diferentes.
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Nicolau Maquiavel 
Deve-se registrar que diversos filósofos surgiram com a finalidade de comprovar o  poder concentrado nas mãos do rei. Um deles foi Nicolau Maquiavel, teórico e escritor, considerado um dos fundadores da Ciência Política. Para ele, o príncipe, isto é, o governante, devia se valer de uma ética comprometida com as razões de Estado, que se contrapunha à ética que deveria ser seguida pelos homens. (Os fins justificam os meios).
Outro importante teórico foi o bispo Jacques Bossuet, considerado um dos maiores teóricos do poder absoluto dos reis. Segundo o pensamento do filósofo, de acordo com as tradições da Igreja Católica, o poder, tanto espiritual quanto temporal, derivava de Deus e era exercido pelo papa, ao qual os reis estariam submetidos. Bossuet reformulou a concepção de poder, adaptando-a aos tempos modernos. Para ele, o poder continuava derivando de Deus, mas era dado por Ele aos próprios reis, aos quais os súditos deveriam se subornar.

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Jacques Bossuet
Por fim, outro importante filósofo foi Thomas Hobbes, cuja teoria consistia em  sistematizar um conjunto de ideias no sentido de comprovar o poder absoluto dos reis. Segundo o filósofo, “o homem é o lobo do homem”, ou seja, o homem tem a capacidade de destruir seu semelhante e, por isso, existe a necessidade de ter um governo forte e autoritário para manter o equilíbrio na sociedade. Em outras palavras, o absolutismo, segundo o pensador, é fundamental para que os Seres Humanos não se destruam. 

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